2ª
Parte
David Ogilvy
Existe um limite para a
agressividade de um anúncio ou comercial?
Evidentemente. Para mim esse
limite é simples: nunca faça um anúncio que você não vai querer que sua própria
família veja.
Você sempre defendeu a
longevidade das campanhas publicitárias. Esse não é um tema
tratado com uma certa leviandade por anunciantes e agências?
Sempre afirmei que se você
tiver a sorte de criar um bom anúncio deve repeti-lo até que ele pare de vender.
Tenho visto que muitos bons anúncios são descartados antes que percam sua potência, em
geral porque o anunciante e a agência simplesmente enjoaram de vê-los.
Existe uma diferença
importante entre produto e marca?
"Produto" e
"marca" são palavras constantemente utilizadas como sinônimos. Mas elas não
significam a mesma coisa. Uma simples e crucial distinção é que dentro de cada marca
existe um produto, mas nem todo produto é marca. Um produto é tangível: você pode
tocá-lo, pode vê-lo. Ele tem atributos físicos como estilo, modelo, propriedade,
preço. A marca é a somatória de como os consumidores se sentem em relação a um
produto. A personalidade que atribuem a ele. E, acima de tudo, as experiências vividas
por eles com o produto.
Qual é a sua definição de
marca?
A marca é a intangível soma
dos atributos de um produto: seu nome, embalagem e preço, sua história, reputação e a
maneira como ele é promovido. A marca é também definida pelas impressões dos
consumidores sobre as pessoas que a utilizam, assim como pela sua própria experiência
pessoal.
Todo produto merece ser
transformado em uma marca?
Vale a pena dar à maioria dos produtos
uma imagem de qualidade - uma passagem de primeira classe. Isso é especialmente
verdadeiro para os produtos cujas marcas são visíveis pelos amigos do consumidor, como
cerveja, cigarros, automóveis, que são produtos que "identificam" as pessoas
que os consomem. Se a publicidade for empanada ou vulgar, ela irá empanar também o
brilho
do produto.
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